Potencial de consumo do segmento LGBT no Brasil gira em torno de US$ 133 bilhões

Brasil
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A segmentação do mercado de consumo é fato, assim como também o são os nichos cujo potencial é imenso, mas subaproveitado. É o caso do público LGBT. Um estudo da associação internacional de empresas Out Leadership, que desenvolve iniciativas para o público gay, estimou o potencial de consumo do segmento LGBT no Brasil em US$ 133 bilhões, o que equivale a R$ 418,9 bilhões – ou 10% do Produto Interno Bruto (PIB).
Além disso, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o público LGBT representa 10% dos viajantes no mundo, movimentando 15% do faturamento do setor. Como se não bastasse, uma pesquisa divulgada pela renomada agência publicitária Ogilvy descobriu que quase a metade dos norte-americanos está mais disposta a gastar em marcas que são inclusivas em relação ao público LGBT.
Para descobrir o quão engajada uma marca é no que se refere aos LGBT, os respondentes afirmaram observar as mídias sociais da marca e procurar notícias relacionadas ao pensamento acerca dos direitos LGBT.
Entretanto, a maioria dos entrevistados pela Ogilvy disse que a propaganda não é a forma mais eficiente de perceber se uma empresa é ou não inclusiva. Ou seja, os consumidores também estão atentos à composição dos colaboradores das empresas e esta seria a prova mais contundente de que a marca é, de fato, pró-diversidade. Se uma empresa precisa de uma motivação extra para tornar-se engajada publicamente – como fizeram grandes nomes tais como Apple, Facebook, IBM e Starbucks – a economia pode ajudar.
De acordo com a Out Leadership, o público LGBT mundial teria “apenas” US$ 3 trilhões ao ano para gastar. A estimativa corresponde ao PIB da França. Só na Europa, o potencial de consumo pode chegar aos US$ 873 bilhões e, nos Estados Unidos, a US$ 760 bilhões. Ainda assim, associar a marca ao público gay pode igualmente afugentar os que ainda resistem a um mundo diverso e inclusivo.
Em João Pessoa, são poucos os locais que, de fato, assumem que são voltados ao público LGBT. A maior parte deles, que vai de pousadas a barzinhos, localizados tanto no Centro Histórico quanto em praias, até contratam funcionários que se identificam como gays, lésbicas ou transgêneros, e recebem um público formado majoritariamente por LGBT, mas preferem dizer que o estabelecimento comercial é voltado a “todos os públicos, sem distinção”. O site Guia Gay PB reúne os (poucos) locais onde o público LGBT é mais do que bem-vindo.
Brasil é destino gay-friendly

Em maio deste ano, a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) reafirmou o Brasil como destino gay-friendly – termo designado para identificar locais receptivos à presença de público LGBT. Desde 2015, pelo menos sete capitais brasileiras são capacitadas para esse público: Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Salvador, Brasília, Recife e Porto Alegre. De acordo com o instituto, o segmento LGBT é o que mais cresce no turismo, com gastos per capta em média três vezes superiores aos dos outros nichos.
No país, de acordo com a Embratur, os principais produtos turísticos voltados ao público LGBT são a Parada Gay de São Paulo e Florianópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro e a vida noturna das sete cidades. Portanto, é inegável que o turismo é um segmento que está atento ao potencial de consumo do público LGBT. Estatísticas mais recentes da Associação Brasileira de Turismo LGBT apontam que os turistas que assim se identificam, por ano, movimentam em torno de R$ 150 bilhões.
Ministério do Turismo cria cartilha

No ano passado, o Ministério do Turismo lançou, em parceria com o Ministério da Justiça, a cartilha Dicas para atender bem o turista LGBT. Voltada para os prestadores de serviços, a cartilha busca promover a inclusão e prioriza o bom atendimento aos visitantes, sem distinção de sexo. “É um público disposto a conhecer algo novo, que faz em média quatro viagens por ano e pesquisa bastante antes de ir até a agência. Muitos chegam com o destino todo preparado na cabeça e alguns perguntam quais lugares escolhidos têm hotéis ou estabelecimentos que atendam ao público LGBT. Para eles, é importante que tenham lugares onde se sintam aceitos”, comentou o agente de viagens Luciano Lapa.
Além disso, o agente de viagens destacou que o perfil do turista LGBT é formado por pessoas com poder aquisitivo alto, sem filhos e que veem nas viagens uma forma de descobrir outras culturas.
“Os países mais procurados são França e Itália e, no Brasil, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Fernando de Noronha são lugares muito procurados. Eles não buscam apenas o lazer, mas também um destino que os enriqueçam culturalmente. Para feriados prolongados, as praias mais procuradas são Porto de Galinhas e Pipa”, afirmou.
Nos últimos quatro anos, o crescimento na venda de pacotes para pessoas e casais LGBT cresceu 15% na agência Lapa Viagens. Além disso, a estimativa é de que um pacote internacional pode custar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por pessoa, incluindo hotel, aéreo e passeios. Uma viagem doméstica, por sua vez, pode custar de R$ 1 mil a R$ 5 mil por casal, dependendo do destino escolhido.
“Eles escolhem bons hotéis, muitas vezes resorts com all inclusive, e encaram a viagem como um investimento. Além disso, a maioria paga à vista e nunca tive prejuízo com eles. Uma agência voltada apenas para o público LGBT tem um potencial altíssimo, principalmente no Sul e Sudeste do país”, avaliou Luciano Lapa.
Celina Modesto – Jornal Correio da Paraíba

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Potencial de consumo do segmento LGBT no Brasil gira em torno de US$ 133 bilhões

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A segmentação do mercado de consumo é fato, assim como também o são os nichos cujo potencial é imenso, mas subaproveitado. É o caso do público LGBT. Um estudo da associação internacional de empresas Out Leadership, que desenvolve iniciativas para o público gay, estimou o potencial de consumo do segmento LGBT no Brasil em US$ 133 bilhões, o que equivale a R$ 418,9 bilhões – ou 10% do Produto Interno Bruto (PIB).
Além disso, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o público LGBT representa 10% dos viajantes no mundo, movimentando 15% do faturamento do setor. Como se não bastasse, uma pesquisa divulgada pela renomada agência publicitária Ogilvy descobriu que quase a metade dos norte-americanos está mais disposta a gastar em marcas que são inclusivas em relação ao público LGBT.
Para descobrir o quão engajada uma marca é no que se refere aos LGBT, os respondentes afirmaram observar as mídias sociais da marca e procurar notícias relacionadas ao pensamento acerca dos direitos LGBT.
Entretanto, a maioria dos entrevistados pela Ogilvy disse que a propaganda não é a forma mais eficiente de perceber se uma empresa é ou não inclusiva. Ou seja, os consumidores também estão atentos à composição dos colaboradores das empresas e esta seria a prova mais contundente de que a marca é, de fato, pró-diversidade. Se uma empresa precisa de uma motivação extra para tornar-se engajada publicamente – como fizeram grandes nomes tais como Apple, Facebook, IBM e Starbucks – a economia pode ajudar.
De acordo com a Out Leadership, o público LGBT mundial teria “apenas” US$ 3 trilhões ao ano para gastar. A estimativa corresponde ao PIB da França. Só na Europa, o potencial de consumo pode chegar aos US$ 873 bilhões e, nos Estados Unidos, a US$ 760 bilhões. Ainda assim, associar a marca ao público gay pode igualmente afugentar os que ainda resistem a um mundo diverso e inclusivo.
Em João Pessoa, são poucos os locais que, de fato, assumem que são voltados ao público LGBT. A maior parte deles, que vai de pousadas a barzinhos, localizados tanto no Centro Histórico quanto em praias, até contratam funcionários que se identificam como gays, lésbicas ou transgêneros, e recebem um público formado majoritariamente por LGBT, mas preferem dizer que o estabelecimento comercial é voltado a “todos os públicos, sem distinção”. O site Guia Gay PB reúne os (poucos) locais onde o público LGBT é mais do que bem-vindo.
Brasil é destino gay-friendly

Em maio deste ano, a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) reafirmou o Brasil como destino gay-friendly – termo designado para identificar locais receptivos à presença de público LGBT. Desde 2015, pelo menos sete capitais brasileiras são capacitadas para esse público: Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Salvador, Brasília, Recife e Porto Alegre. De acordo com o instituto, o segmento LGBT é o que mais cresce no turismo, com gastos per capta em média três vezes superiores aos dos outros nichos.
No país, de acordo com a Embratur, os principais produtos turísticos voltados ao público LGBT são a Parada Gay de São Paulo e Florianópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro e a vida noturna das sete cidades. Portanto, é inegável que o turismo é um segmento que está atento ao potencial de consumo do público LGBT. Estatísticas mais recentes da Associação Brasileira de Turismo LGBT apontam que os turistas que assim se identificam, por ano, movimentam em torno de R$ 150 bilhões.
Ministério do Turismo cria cartilha

No ano passado, o Ministério do Turismo lançou, em parceria com o Ministério da Justiça, a cartilha Dicas para atender bem o turista LGBT. Voltada para os prestadores de serviços, a cartilha busca promover a inclusão e prioriza o bom atendimento aos visitantes, sem distinção de sexo. “É um público disposto a conhecer algo novo, que faz em média quatro viagens por ano e pesquisa bastante antes de ir até a agência. Muitos chegam com o destino todo preparado na cabeça e alguns perguntam quais lugares escolhidos têm hotéis ou estabelecimentos que atendam ao público LGBT. Para eles, é importante que tenham lugares onde se sintam aceitos”, comentou o agente de viagens Luciano Lapa.
Além disso, o agente de viagens destacou que o perfil do turista LGBT é formado por pessoas com poder aquisitivo alto, sem filhos e que veem nas viagens uma forma de descobrir outras culturas.
“Os países mais procurados são França e Itália e, no Brasil, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Fernando de Noronha são lugares muito procurados. Eles não buscam apenas o lazer, mas também um destino que os enriqueçam culturalmente. Para feriados prolongados, as praias mais procuradas são Porto de Galinhas e Pipa”, afirmou.
Nos últimos quatro anos, o crescimento na venda de pacotes para pessoas e casais LGBT cresceu 15% na agência Lapa Viagens. Além disso, a estimativa é de que um pacote internacional pode custar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por pessoa, incluindo hotel, aéreo e passeios. Uma viagem doméstica, por sua vez, pode custar de R$ 1 mil a R$ 5 mil por casal, dependendo do destino escolhido.
“Eles escolhem bons hotéis, muitas vezes resorts com all inclusive, e encaram a viagem como um investimento. Além disso, a maioria paga à vista e nunca tive prejuízo com eles. Uma agência voltada apenas para o público LGBT tem um potencial altíssimo, principalmente no Sul e Sudeste do país”, avaliou Luciano Lapa.
Celina Modesto – Jornal Correio da Paraíba

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