Redes sociais podem eliminar candidatos de vagas de emprego

Cotidiano
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O número de desempregados no Brasil até novembro deste ano superava 12,7 milhões pessoas, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Na corrida por uma vaga de emprego cada vez mais concorrida, muita gente está perdendo espaço antes mesmo de entregar um currículo ou fazer uma entrevista em agências de colocação de profissionais no mercado de trabalho.
Um pequeno comentário sobre determinado assunto ou uma foto postada nas redes sociais estão eliminando as pessoas antes mesmo de se candidatar há uma vaga de trabalho. Da mesma forma, por outro lado, as redes sociais ajudam um profissional a obter uma melhor colocação em sites especializados, como o linkedin.com.
“Esse é um tema muito pertinente nos dias atuais e, realmente, o que tenho observado no meu dia a dia é que as vagas, apesar de não surgirem na quantidade que esperamos, existem sim, mas muitas vezes os candidatos perdem as oportunidades antes mesmo de iniciar o processo seletivo”, afirmou Aline Neves, consultora de Relações Humanas, da Bussiness Executive Coach de Carreira e Liderança.
Um empresário de João Pessoa, que preferiu não ser identificado, admitiu que os recrutadores de profissionais de seu escritório consultam a vida pessoal dos candidatos nas redes sociais, principalmente, o Facebook e o Instagram, e que os currículos, mesmo com muitas capacitações e referências, são deixá-los de lado. “Temos a capacitação profissional, mas levamos sim em consideração a vida social das pessoas que queremos trabalhando com a gente”, pontuou o empresário.
“Neste mundo mega globalizado, onde as informações correm em tempo real e necessidade cada vez maior do ser humano de estar em evidência e no centro das atenções, as redes sociais se tornaram praticamente um diário vivo de seus usuários, onde, em muitos casos, sabemos as suas rotinas diárias, seus gostos pessoais, sua vida social, suas conquistas pessoais e profissionais, e em muitos casos seus desafetos, suas mágoas e tristeza”, disse Janaína Motta, orientadora vocacional.
Postagens eliminam candidatos
Também sem revelar o nome da pessoa que pretendia uma das vagas de emprego no escritório, o empresário afirmou que eliminou um candidato simplesmente porque em todas as postagens dele nas redes sociais ele, ou se encontrava consumindo bebidas alcoólicas, ou na noite. “Como posso contar com um funcionário desse todos os dias de manhã bem cedo?”, questionou o empresário.

Para a orientadora vocacional e reorientadora profissional, Janaína Motta, a influência das redes sociais pode variar muito, e vai de acordo com a função, o nível hierárquico e de responsabilidade do cargo a ser ocupado, como também do perfil da empresa que está contratando. Baseado em alguns critérios, as empresas podem ou não visitar as redes sociais dos seus candidatos.
Segundo ela, as empresas têm utilizado o mecanismo do Big Brother para contratar profissionais. “Sim, e muito”, afirmou .
Quanto a ser ser litico ou não, Janaína Motta disse que não existe uma lei que restrinja as empresas quanto ao uso desta ferramenta, “mas é claro que a grande maioria não assume fazer uso da mesma em seus processos seletivos”, pontuou a executiva.
Para Janaína Motta, os profissionais precisam ter prudência e maturidade. “Ouvimos muito o discurso: “ah, o Face ou o Insta é meu e eu coloco o que eu quiser. Realmente é seu, porém, tenha cuidado e se faça as seguintes perguntas: Se eu fosse um gestor de uma empresa e estive buscando um profissional, eu contraria alguém que expõe sua vida desta forma? Que tipo de exposição eu quero passar para as pessoas? Será que isso que publico nas minhas redes sociais não vai me envergonhar ou me prejudicar futuramente?”
Janaína disse não existem regras, porém, algumas cautelas ou cuidados devem ser tomados. “Além de preservar a nossa imagem como pessoal e principalmente como profissional, tem também o lado da segurança. Por isso devemos ter cuidado com o que postamos e para quem postamos.”
As redes sociais estão cada vez mais populares no nosso cotidiano e fazem parte na nossa identidade na internet. Aline Neves, consultora de Recursos Humanos e comportamental, afirma que algumas delas são focadas, exclusivamente, para o ambiente profissional a exemplo do linkedin. “Outras são para compartilhar momentos, fotos, opiniões ou pensamentos com colegas e amigos. Essas ferramentas acabam se tornando nossa vitrine pessoal, podendo melhorar nossa exposição no mercado de trabalho”, pontuou.

Aline disse que, além disso, muitas empresas avaliam os funcionários pelo comportamento virtual. “Os recrutadores descobriram que as redes sociais podem revelar detalhes importantes que passam despercebidos em entrevistas e dinâmicas”, revelou.
Assim como apontou a orientadora vocacional e reorientadora profissional, Janaína Motta, Aline disse que as pessoas precisam se cuidar mais, se policiar, a respeito do que estão postando nas redes sociais. Usando a mesma frase de Janaína, ela disse que sempre ouve as pessoas dizerem que o “Facebook ou WhatsApp são meus e eu posto o que eu quiser”.
“Porém, todo o cuidado é importante com o que se tecla, pois influencia diretamente na impressão que o profissional pode causar. Cuidar da própria imagem com equilíbrio não faz mal a ninguém, nem na vida pessoal ou profissional, seja no mundo real ou no mundo virtual. Isso vale também para os profissionais que já estão recolocados no mercado, mas que desejam consolidar uma carreira promissora”, afirmou.
A consultora disse que hoje, a maioria das empresas e recrutadores costuma acessar as redes sociais para verificar e validar um determinado perfil de empregado. Existem diversas redes sociais voltadas para o mercado de trabalho, a mais utilizada por recrutadores, hunters e profissionais de mercado, sem dúvida, é o “Linkedin”. Essa rede é utilizada para a divulgação do currículo, projetos realizados, networking, grupos específicos para troca de conhecimentos, recomendações sobre o desempenho dos profissionais, entre outros.”
“Outra rede que temos utilizado constantemente é o Whatsapp, aplicativo rápido de conversação seja por mensagens, ou áudio. A forma como se posiciona, se comporta e até o jeito, tom da fala, como se expressa, tem sido observado uma vez que muitos dos recrutadores estão nestes grupos também”, afirmou. Aline disse que “é claro que no surgimento de vagas ele (o empregador) vai lembrar de determinada situação do candidato.
“Observo casos diariamente de pessoas que ainda não conseguiram se recolocar pela imagem que passa através das redes sociais a exemplo de vitimização, tudo de ruim só acontece com ele, ele não tem sorte e por aí vai; Pessoas que postam tudo e de todo jeito sem se preocupar com as imagens que vem publicando, pessoas que passam o dia desabafando seus problemas pessoais”, afirma Aline Neves.
Dicas importantes
1. Coloque fotos/imagens saudáveis
2. Não fale mal das pessoas ou das empresas
3. Dê opiniões construtivas
4. Não se exponha além do necessário
5. Evite mentiras
Fábio Cardoso

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