Construção de estaleiro em Lucena dá mais um passo para concretização

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A construção do estaleiro de reparos de navios em Lucena, litoral Norte da Paraíba, recebeu a Licença de Instalação – LI da Sudema – Superintendência de Administração do Meio Ambiente -, documento que é uma garantia para que o investidor dê sequência ao projeto. De acordo com Roberto Braga, consultor da empresa norte-americana McQuilling, com a LI, e cumprindo as exigências do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico), as obras poderão ser iniciadas em breve. Ele preferiu não estimar a data.
Roberto Braga afirmou que a McQuilling Partners, empresa de contratação de frete marítimo, com sede em Nova York (Estados Unidos), oficializou a chinesa IMC Y Y, um dos maiores estaleiros chineses, na condição de ser o único operador do estaleiro, caso participasse do projeto. “Sem a LI não se consegue arregimentar investidores, principalmente, num país com os problemas do Brasil”, enfatizou o consultor.
Com esse aval, em meados do mês passado, esteve na Paraíba o diretor comercial da McQuilling, David Saginaw, acompanhado do presidente da IMC Y Y, Chen Yong, um dos maiores estaleiros chineses, que está instalado no estado de Zhoushan, na China. Os dois participaram de reuniões com as diretorias da Cinep e Fiep, além da visitar a área onde o estaleiro deverá ser construído.
Chen Yong, na oportunidade, segundo Roberto Braga, demonstrou seu interesse por outros investimentos na Paraíba que pudessem interessar a outras empresas chinesas. “É sabido que os chineses gostam de estar agrupados com seus compatriotas e isso foi um ponto abordado com insistência pelo chinês, durante vários momentos de sua visita, inclusive, destacando o grande interesse que empresários chineses do setor de pesca teriam em operar na Paraíba.”
Para sequenciar o processo de discussão sobre a construção do estaleiro, Roberto Braga disse que a Paraíba deverá enviar um grupo entre cinco e oito pessoas à Zhoushan, na China, visita que seria, da mesma forma, retribuída com uma vinda dos chineses na Paraíba.
“Esse período de troca de amabilidades e de demonstração mútua de interesses seria o tempo para a elaboração do projeto definitivo que, inclusive, deverá conter observações importantes do Sr. Chen, que preside o estaleiro de maior produtividade da China”, apontou o consultor.

Semelhança emociona investidor

O Chen Yong fez uma apresentação sobre o que aconteceu em Zhoushan com a implantação de seu estaleiro, há 20 anos, e que multiplicou por dez o crescimento da região, deixando todos impressionados com o desenvolvimento que se instalou naquela ilha do sudeste asiático.
Ao chegarem em Lucena para uma visita técnica, o chinês relatou a semelhança da praia de Costinha com Zhoushan. Entre os fatos pitorescos relatados pelo empresário chinês, que falou com entusiasmo sobre essa relação, sobretudo, a mudança de vida dos pescadores daquela ilha, onde disse não haver mais pobreza. Ele citou como exemplo os meninos com idade acima de sete anos, falando inglês.
O estaleiro de reparos EDPI (Estaleiro de Docagem Pedras do Ingá), cujo nome homenageia as pedras de Itacoatiara, é um exemplo de investimento de retorno robusto e de longevidade invejável. Os reparos em grandes navios transatlânticos de transporte de mercadorias, de petroleiros e de embarcações off shore e de pesca, não encontram no Atlântico Sul atendimento possível.

Estaleiro para reparar navios

Mais de R$ 3 bilhões é o valor do investimento do estaleiro de Lucena. De acordo com Roberto Braga, trata-se de um estaleiro para reparos e manutenção de navios. “Diferente dos estaleiros de construção naval, que estão falindo em todo o mundo porque os principais estão na China e em Singapura, o estaleiro de reparos tem vida longa porque funcionam para fazer a manutenção nos navios, que precisam disso a cada dois ou três anos”, explicou.
Conforme o consultor, este será o primeiro estaleiro do Atlântico Sul que terá capacidade para realizar a manutenção de navios de médio e grande porte. Atualmente, existe apenas um localizado em Miami, mas que faz reparos apenas em navios de turismo, e um no Uruguai, mas que atende apenas a navios de pequeno porte. “Além disso, por ser novo, é projetado para ser um dos mais modernos do mundo e apenas dois estaleiros no mundo são modernos assim”, afirmou.
Dentre as inovações, destaca-se a manutenção de leme e de eixo de navio. “São manutenções complicadas de fazer. Esse estaleiro terá um retorno robusto e tem a liderança da McQuilling, que atua em dez países contratando fretes. Um navio para fazer a manutenção tem de chegar vazio de combustível e carga ao estaleiro. Até a China, são muitos dias para chegar e em média se perdem US$ 500 mil dólares por causa disso. Com o estaleiro em Lucena, receberemos navios da África, América do Norte, Central e do Sul”, disse Roberto Braga.
Fábio Cardoso e Celina Modesto