Crise e comportamento do consumidor fazem restaurantes se reiventar em João Pessoa

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Diversos restaurantes de João Pessoa fecharam, ou anunciaram mudanças nas atividades nas últimas semanas. Tererê, Adega do Alfredo, Meio do Mangue, Philipe Sanduíches Especiais e Degustar são alguns exemplos. Nem todos, entretanto, fecharam definitivamente. A Adega do Alfredo, por exemplo, apenas mudou suas atividades para outro local. O fato é que muitas empresas do segmento de alimentação estão precisando repensar seus formatos, pois, além da crise, há uma mudança no perfil do consumidor.

“Houve uma queda no faturamento com essa crise e, como o nosso mercado é de resposta rápida, isso é muito nítido, mas também está havendo uma mudança no perfil do consumo que as empresas estão tentando entender”, disse o presidente do Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação de João Pessoa (Seha-JP), Graco Parente, que também responde pelo restaurante Degustar.

Graco destacou que, por se tratar de um mercado cíclico, é comum que alguns tipos de estabelecimentos se sobressaiam de tempos em tempos. “Nós tivemos a moda do temaki, depois as hamburguerias e, atualmente, vemos o boom do açaí”, comentou. Isso não significa, porém, que não haja espaço para todos, cada um com a sua clientela, conforme explicou o empresário.

Com a tendência de procura por uma alimentação mais saudável, Graco lembrou que muitos restaurantes já incluíram em seus cardápios opções de salada, assim como pratos sem glúten e sem lactose.

“Os restaurantes têm tentado se adaptar ao perfil do cliente. Alguns incluíram pratos executivos no cardápio, outros lançaram pratos para duas ou três pessoas, para dividir. Já teve restaurante que trouxe barman especializado para criar carta de drinks”, enumerou Graco, falando dos esforços dos empresários para se reinventar e permanecer no ramo.

Os investimentos em delivery também têm sido altos, segundo ele, já que esse segmento cresceu muito, principalmente por conta dos aplicativos que facilitam a vida de quem quer pedir a comida em casa. “Mas muita gente ainda quer sair de casa, quer sair da rotina. O restaurante também é visto como uma forma de lazer”, garantiu.

Informalidade domina

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Paraíba (Abrasel-PB), José Miguel Sobrinho, afirmou que o setor de alimentação está sofrendo com a crise econômica, assim como todos os outros. Ele frisou que, durante o período junino, o movimento enfraquece em João Pessoa, enquanto cresce em Campina Grande e outras cidades do interior.

Para José Miguel, no entanto, o que mais prejudica o segmento é a informalidade. “Cerca de 70% dos bares e restaurantes da Paraíba são informais”, revelou o empresário. Ele admitiu que a crise econômica é um dos motivos para haver tanta informalidade no meio, já que muitas pessoas que perdem seus empregos, resolvem empreender na área de alimentação. “Sabemos que grande parte dessas pessoas está tentando ganhar a vida”, comentou.

O problema, segundo ele, é que os informais não estão pagando impostos, o que se torna injusto, já que, além de não contribuírem para o desenvolvimento do Estado, acabam praticando preços mais baixos por não terem a alta carga tributária dos outros. “Acredito que deveria haver uma contribuição, mesmo que mínima. Seria um trabalho para ser feito pela prefeitura e pelo Governo do Estado, através do Sebrae, para que essas pessoas contribuam como MEI (Microempreendedor Individual)”.

Bárbara Wanderley – Jornal Correio da Paraíba