Ricardo Coutinho desabafa: “Valeu a pena e acho que eu faria tudo do mesmo jeito novamente”

Fábio Cardoso

Faltam 10 dias para o governador Ricardo Coutinho (PSB) entregar o comando do Governo da Paraíba para o seu sucessor João Azevêdo, do mesmo partido. Nesta terça-feira (18) aconteceu a diplomação dos eleitos. E se as pessoas pensam que o legado de oito anos que será deixado satisfaz Coutinho, está redondamente enganado.

“Sair frustrado de não ter feito… Acho que tem tanta coisa… Eu sou uma pessoa muito inquieta e me frustra não ter feito foi um sistema de governança, que eu montei e não pude implantar. João vai implantar, e vai ensinar uma gestão olhar para frente, ao invés de estar dando conta de problemas passados. Você constrói a solução futura e ser cobrado por isso. Está montadinho lá, e João (Azevêdo) vai aplicar”.

De acordo com o governador, por outro lado, há muita coisa que ele sequer sonhava em fazer e fez. “Talvez essa parte que não sonhava e terminei fazendo seja muito maior do que aquilo que eu me comprometi a fazer”. Coutinho disse que há um levantamento sobre as ações que foram realizadas e que colocam a Paraíba entre os principais Estados da Federação que mais cumpriram as promessas de campanha. “E isso é algo que eu considero muito importante”, afirma.

No entanto, admite o governador, alguns projetos não foram possíveis fazer, por exemplo, o Centro de Convenções de Campina Grande. Esse projeto, segundo ele, “estava no pedido de empréstimo junto ao Governo Federal que não veio, e, no mesmo tempo, eu tive uma série de conversas com empresários que disseram que não era o momento (de construir), pois haviam outras prioridades, como o Parque Bodocongó (também em Campina Grande), que passou a ser uma realidade, com volume de recursos maior”.

Ricardo Coutinho pontua que está deixando para João Azevêdo um Estado equilibrado financeiramente. “Não tem dinheiro sobrando, mas também não está faltando”, deixa um recado. Segundo ele, o Governo se adaptou à crise econômica e política e “vencemos essa dificuldade e estamos colhendo agora. Eu entrego o Governo nessa situação e, se a gente continuar investindo olhando para as pequenas cidades, a Paraíba em pouco tempo se tornará um Estado extremamente atrativo para investimentos”, prevê.

Na opinião do governador, a Paraíba está no seu melhor momento “e no momento da crise, da dificuldade, do aperto, então, se conseguimos fazer tanto, é sinal de que podemos fazer muito mais. De acordo com ele, vai haver um deslocamento de investimento de obras para a prestação de serviços. A situação de equilíbrio financeiro irá permitir um melhor direcionamento dos projetos a serem efetivamente concretizados.

Ricardo Coutinho fez uma previsão de que o Brasil passará com o futuro presidente, Jair Bolsonaro, a qual ele é oposição, “Eu acho que o Brasil precisa tomar muito cuidado com o seu futuro, ter muita calma nesse momento, com essa mistura explosiva que é a crise econômica e violência urbana, que está sendo estimulada. Quando o governo assume, o palanque tem que ser deixado para trás.Discurso fácil já era. Governo, quando assume, tem que mostrar conhecimento e ação. É assim que as coisas são. Se você não coloca isso em prática, você agrava a crise, que se torna ainda mais explosiva”.

O governador relembra a situação difícil a qual a Paraíba foi colocada quando se posicionou oposição ao Governo Temer, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousself. “De todo jeito a Paraíba tem seu caminho. Eu governei três anos sem nenhum incentivo federal, nos negaram até os nossos direitos. Hoje, nós temos uma posição boa, equilibrada e capacidade de contrair empréstimos e pagar, o que é mais importante. Não precisamos de dinheiro de ninguém. Valeu a pena e acho que eu faria tudo do mesmo jeito novamente”, aponta.

Fábio Cardoso

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