Fundador do Muriçocas do Miramar já teve que vender carro e terreno para pagar contas do bloco

Carnaval 2019

Para quem ainda não entendeu as motivações que fizeram com que a diretoria do Bloco Muriçocas do Miramar decidisse não mais utilizar trios elétricos e buscar as origens, entre elas, estava a falta de dinheiro. Isso mesmo, talvez o maior e mais famoso bloco do projeto Folia de Rua, que representa a prévia carnavalesca de João Pessoa, não tinha dinheiro para colocar o bloco na rua.

A jornalista Ruth Avelino fez um depoimento/desabafo sobre essa situação e postou nas suas redes sociais. Ela afirmou que só não participou desde o primeiro desfile, em 1987, porque estava de plantão na emissora de TV onde era repórter. Em longo depoimento, revelou, entre outras coisas, que o cantor e fundador do Muriçocas, Mestre Fuba, chegou a vender o carro e um terreno para pode bancar uma promoção para a compra das camisas do bloco, em 2001, quando o Muriçocas completou 15 anos.

Nesse ano, Ruth, que estava casada com Fuba, todos decidiram marcar a data com uma grande festa de debutante, e resolveram sortear um carro 0km entre as pessoas que comprassem a camisa do bloco. “Foram confeccionadas 10 mil camisetas, vendidas a R$ 20”, lembrou a jornalista, e que Fuba havia dito que iriam ‘vender brincando’. Pois bem, foram vendidas apenas 998 camisas, “prejuízo total, geral e irrestrito”, afirmou.

No dia seguinte, claro, a ressaca, como contou Ruth Avelino. “Fizemos um lindo desfile de 15 anos, mas no dia seguinte Fuba teve de dar seu carro usado e um lindo terreno que tinha em Tabatinga, na Costa do Conde, para comprar o carro 0Km do ganhador do sorteio. Sim, e ainda teve gente que o chamou de ladrão, por não ter sido o sortudo no sorteio!!! Naquele dia me perguntei: Isso é justo????”.

Na história do Muriçocas, a jornalista diz que a casa dela, na Rua Carlos de Barros, paralela a  Avenida Tito Silva, “era o quartel general das Muriçocas. Amigos, vizinhos, companheiros de trabalho… iam para minha casa para se fortalecerem com a super sopa de Dona Gema Avelino (mãe dela), tomarem banho gelado, guardarem seus carros na garagem e depois irem se esbaldar na folia… Era bom demais!!”

Em 1996, relatou a jornalista, ela passou a fazer parte da vida de Eduardo Fuba. “Nos cinco anos em que vivemos juntos, passei a conhecer mais de perto a realidade da organização do bloco. Muito desgaste, falta de dinheiro, de apoio, de reconhecimento… Vi o quanto Eduardo Fuba, Marcone Serpa, Val Velloso, Vitória Lima, Antonio Gualberto Filho e tantos outros companheiros sofriam para colocar o bloco na rua e fazer a alegria de tanta gente!”

Nessa época, segundo ela, percebeu que muitos animados foliões preferiam comprar camisetas de blocos alternativos que saiam junto com a Muriçocas ou espaços em camarotes, a adquirirem a camiseta oficial, como forma de dar uma força a agremiação carnavalesca. “Vi que as empresas da Paraíba não se interessavam em patrocinar as Muriçocas, mesmo com a apresentação de um projeto arrojado de exposição de suas marcas para mais de 500 mil pessoas. Como pode???? Observei também a falta de interesse do poder público em apoiar financeiramente o bloco por motivos diversos. Fato é que muitas vezes precisamos tirar dinheiro de nossas despesas domésticas para  pagar as contas das Muriçocas.”

O final do desabafo revelou uma foliã esperançosa no retorno do bloco às origens, mas sem deixar de criticar as pessoas que, nesse momento, criticam a decisão, também por ‘n’ motivos. “Agora, no ano 33, as Muriçocas do Miramar anunciam mudanças em seu trajeto e a intenção de voltar às origens, e aí chega um monte de gente para meter o pau, dizer que o bloco vai acabar, que Fuba é ditador, que o bloco é da cidade e não da diretoria…. Como assim???? Na hora de ajudar todo mundo foge da raia, mas para fazer críticas todo mundo chega junto?????”

Ruth Avelino, que saiu mais uma vez no bloco como faz desde o começo, reflete a opinião da maioria dos moradores do bairro de Miramar. “Eu achei massa as mudanças que ocorreram, entre outros fatores. por falta de apoio e patrocínio. Será lindo ver a Muriçocas do Miramar voltarem às origens e eu estarei lá, como estive nesses 32 anos, dando força a esse lindo movimento cultural que mudou a história do Carnaval de previa de João Pessoa. Bora!!!!!!”

Fábio Cardoso

1 thought on “Fundador do Muriçocas do Miramar já teve que vender carro e terreno para pagar contas do bloco

  1. Como nada é para sempre, nada melhor que as muriçocas voltarem às origens!!! Quem sabe, esse novo projeto seja bem vindo pelo público? Eu achei ótimo a concentração pelo bairro mesmo! Menos cansativo. O importante é não desistir das Muriçocas do Miramar!!!

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