Guilherme Paulus admite propina e acerta delação premiada

Brasil

O empresário Guilherme Paulus, fundador da CVC Brasil, procurou a Polícia Federalpara fazer declarações reveladoras. O ex-presidente da maior operadora de viagens do país confessou ter pago propina para livrar a empresa de R$ 161 milhões em tributos federais. Paulus deixou o Conselho Administrativo da CVC em março de 2018, pouco tempo antes de fazer delação premiada.

Com base na delação do empresário, a PF realizou na manhã desta terça, 23 mandatos de busca e apreensão e um mandato de prisão preventiva em cinco estados. Suas revelações levaram a Polícia Federal e Procuradoria da República a deflagrar a Operação Checkout, terceira fase da investigação Descarte. A operação aponta propina de R$ 39 milhões do grupo para cancelar a dívida de R$ 161 milhões da Receita no âmbito do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

Os investigadores encontraram indícios de que o grupo também movimentou propinas no exterior, porém valores não foram revelados. Além de corrupção, os acusados podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Operação Checkout apurou a existência de uma quadrilha que recebia propina por meio de empresas de fachada para cancelar impostos de grandes companhias.

Paulus contou à Justiça que, em 2013, foi procurado pelo advogado Átila Reys, investigado pela PF por integrar esquemas de corrupção envolvendo fiscais da Receita Federal e integrantes do Carf. Reys informou ao empresário que poderia livrar a CVC Tur de uma cobrança de R$ 161 milhões na delegacia da Receita em Santo André. Investigadores encontraram o pagamento de R$ 39 milhões e contas de empresas ligadas ao advogado.

Reys deu entrada no recurso na delegacia da Receita e levou o caso a julgamento no Carf em 2014. O conselho votou por unanimidade a favor de Paulus. 

Guilherme Paulus: esclarecimentos 

Em nota, a CVC esclareceu que a empresa citada nas investigações, a CVC Tur, não possui nenhuma ligação com a operadora. Em declaração à imprensa, a empresa informou que “as pessoas citadas, incluindo o Sr. Guilherme Paulus, não possuem cargos executivos ou na administração da CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S.A”. 

A assessoria de imprensa do empresário também de pronunciou a respeito do caso. “A respeito da Operação Checkout deflagrada hoje pelas autoridades policiais, informamos que o empresário Guilherme Paulus firmou de forma espontânea acordo com o Ministério Público e a Polícia Federal tornando-se colaborador da Justiça. Nessa condição, o empresário  prestou os esclarecimentos requeridos pelas autoridades e assumiu compromisso de confidencialidade sobre seu depoimento”.

Agências

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