Câmara de Comércio irá estreitar relações em a Paraíba e Argentina

Paraíba

A Argentina é um dos principais países com o qual a Paraíba mantém relações comerciais, embora a importação do estado seja muito maior do que a exportação no que se refere ao comércio bilateral. Para estreitar ainda mais a já existente ligação, o governador Ricardo Coutinho vai assinar nesta sexta-feira (28) o protocolo de intenções para criação da Câmara Brasil Argentina de Comércio, Indústria e Agricultura na Paraíba (Cambrar). A assinatura será no Salão Nobre do Palácio da Redenção, a partir das 11h.
Deverão participar da solenidade o cônsul da Argentina, Jaime H. Beserman, o presidente da Câmara, David Fernandes, e o embaixador da Argentina, Carlos Magariños. De acordo com o Centro Internacional de Negócios da Paraíba (CIN), da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep), no final de 2016, o estado havia importado US$ 75,3 milhões de dólares da Argentina, garantido ao país a posição de principal origem das importações paraibanas.
“Neste mesmo ano, o país apresentou um recorde em sua participação relativa na pauta das importações do estado, respondendo por 24,08% do total das aquisições paraibanas no exterior. Os resultados do primeiro semestre de 2017 apontam para o crescimento destes valores. Entre janeiro e junho, a importações paraibanas da Argentina cresceram 78,69% no comparativo com o mesmo período do ano anterior“, afirmou o gerente do CIN, Onildo Veloso.
Conforme Veloso, os acréscimos são percebidos positivamente, uma vez que as importações são compostas, majoritariamente, por commodities agrícolas, ou seja, bens básicos e intermediários. “(Isso) pressupõe agregação de valor local e denota aquecimento da atividade produtiva estadual”, avaliou. Por outro lado, as exportações paraibanas para a Argentina, segundo avaliação do CIN, reduziram nos últimos cinco anos.
Isso pressionou o déficit do estado na balança comercial bilateral, que atingiu a casa dos US$ 70,5 milhões de dólares no ponto mais crítico. Em 2016, os valores exportados da Paraíba para o país caíram 46,24%, totalizando US$ 4,7 milhões. “Por trás desta contração, encontra-se a interrupção nas remessas de calçados de borracha ou plástico, principal produto da pauta de exportações do estado, que deixou de ser enviado da Paraíba para a Argentina no ano de 2016. Entre os anos de 2007 e 2015, o produto liderou o ranking das exportações estaduais para o país, chegando a responder por 71,13% do total exportado no ano de 2015”, esclareceu Onildo Veloso.
Setor têxtil assume liderança
Com a interrupção das exportações de calçados de borracha para a Argentina, o estado passou a exportar majoritariamente produtos oriundos do setor têxtil. “Os resultados do primeiro semestre de 2017 apontam para a recuperação dos valores exportados para o país, que cresceram 24,96% no comparativo com o mesmo período do ano anterior”, informou o gerente do CIN, Onildo Veloso.
Voo internacional
No que se refere ao voo direto entre a capital paraibana e Buenos Aires, que começou a operar no começo deste mês, Veloso disse que os impactos mais diretos deverão ser sentidos no setor de serviços, mais precisamente no turismo. “Seus reflexos nos fluxos comerciais são menores, uma vez que, devido ao custo mais elevado dos fretes, o modal aéreo é pouco utilizado nos processos logísticos do comércio bilateral entre o Brasil e a Argentina. Do ponto de vista negocial, contudo, o acesso facilitado entre empreendedores argentinos e paraibanos pode fomentar a conclusão de novos negócios concorrendo, assim, para o incremento das relações comercias entre a Paraíba e a Argentina”, analisou.
Celina Modesto – Jornal Correio da Paraíba

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