Turismo da Paraíba continua em crescimento, mas em ritmo mais lento

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O turismo paraibano está em sinal de alerta. O número de pessoas que visitaram o Estado aumentou apenas 1,42% em 2018, na comparação com o ano anterior. Essa é a menor taxa crescimento dos últimos dez anos. O índice ficou abaixo, inclusive, do resultado registrado em 2016 – quando o país estava em recessão econômica. Naquele ano, o fluxo de visitantes cresceu 2,84%, em relação a 2015. Os dados são da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur).
Entre 2006 e 2015, o fluxo de turistas cresceu, em média, 5,4%. Já nos últimos três anos, a taxa ficou em 2,5%.

De acordo com a PBTur, 1.858.927 pessoas visitaram o Estado em 2018. Se a média de crescimento continuasse em 5,4%, o fluxo teria ultrapassado dois milhões turistas ano passado. Essa marcha lenta tem reflexo direto em mais de 50 segmentos associados à indústria do turismo. Um dos mais afetados é a hotelaria.

A reportagem do jornal CORREIO analisou os dados da ocupação hoteleira de João Pessoa dos últimos 18 anos e observou que o melhor período do setor começou em 2004. Naquele ano, a taxa de ocupação ficou em 56,35% – aumentando 4.78 p.p. em relação a 2003. O crescimento seguiu por quatro anos consecutivos.

O índice caiu 1,10% em 2008, na comparação com 2007. Mas subiu 2,87% em 2009, mantendo a constante de crescimento por outros cinco anos, alcançando, em 2013, a taxa de 70,09% de ocupação. O período de baixa do setor começou em 2016, quando a taxa de ocupação caiu 5,18%, na comparação com 2015. E, desde então, o setor não conseguiu reverter o cenário. O índice de ocupação registrado em 2018 (64,67%) voltou ao patamar de 2009 (63,09%).

Segundo o diretor de Marketing da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira – seccional Paraíba (ABIH-PB), Gustavo Paulo Neto, parte dessa queda na ocupação dos hotéis foi causada pela chegada das hospedagens via aplicativo, que seguem sem regulamentação no Brasil, e pela possibilidade de aluguel freelancer por meio de sites na internet. De acordo com a PBTur, 45% das pessoas que visitam o Estado ficam em casa de parentes e amigos, 38% em hotéis e 15% em outros meios de hospedagem.

“O hotel paga impostos, gera emprego, tem despesas fixas… Esses sites que disponibilizam hospedagem via internet e aplicativo não pagam nada disso. Então, é uma concorrência totalmente desleal com a hotelaria. Isso tem jogado lá para baixo a medição da ocupação nos hotéis de João Pessoa”, comentou Neto.

O diretor de Marketing da ABIH-PB afirmou que a falência da companhia aérea Avianca foi outro que agravou a situação este ano. Os meses de junho e julho – que já são considerados de baixa temporada – perderam ainda mais hóspedes. A taxa de ocupação em julho deste ano caiu 3,30%, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para o secretário adjunto do Turismo de João Pessoa, Graco Parente, o aumento da oferta de leitos na hotelaria da Capital também pode explicar essa baixa na taxa de ocupação. De fato, em 2018, a oferta de leitos cresceu 2,90%, em relação ao ano anterior. E 5,8% em 2017, na comparação com 2016.

“Vamos supor que tínhamos 100 leitos em 2016, dos quais, 80% foram ocupados. Se a oferta passou para 200 leitos em 2017, e a taxa de ocupação continuou em 80%, a gente não vai ter variação no índice, mas o número de hóspedes vai ter aumentado”, comentou Parente.

Fluxo de visitantes na Paraíba
Ano Número Variação em relação ao ano anterior (%)
2009: 1.271.217 6,48
2010: 1.360.010 6,98
2011: 1.409.075 3,61
2012: 1.513.468 7,41
2013: 1.598.006 5,59
2014: 1.649.965 3,25
2015: 1.724.506 4,52
2016: 1.773.520 2,64
2017: 1.832.891 3,35
2018: 1.858.927 1,42

Taxa de Ocupação Hoteleira de João Pessoa
2013: 70,09%
2014: 69,07%
2015: 70,49%
2016: 65,31%
2017: 65,48%
2018: 64,67%

Oferta de leitos na hotelaria de João Pessoa (unidades)
2015: 10.558
2016: 11.176
2017: 11.812
2018: 12.155

Fonte: PBTur

Número de voos doméstico em queda

A oferta de voos domésticos com destino à Paraíba caiu 2,5% em setembro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Já na comparação com 2017, a queda chega a 10,3%. Os dados foram disponibilizados pela Infraero a pedido da reportagem do jornal CORREIO. A quantidade de voos partido dos aeroportos paraibanos para outras cidades também vem caindo nos últimos dois anos.

De janeiro até setembro de 2017, foram realizadas 4.687 decolagens do Estado. No mesmo período deste ano, foram 4.206, ou seja, uma redução de 10,2%. O Aeroporto Presidente João Suassuna, em Campina Grande, foi o que mais perdeu voos domésticos. Entre pousos e decolagens, a disponibilidade caiu 16,4% entre janeiro e setembro deste ano, na comparação com 2017.

O secretário do Turismo e do Desenvolvimento Econômico, Gustavo Feliciano, destacou que a companhia aérea Azul firmou um acordo com o Governo do Estado para suprir a queda no número de voos para a Paraíba, agradava pela falência da Avianca.

A Azul anunciou a operação de 21 novos voos nos aeroportos da Grande João Pessoa e de Campina Grande ao longo do segundo semestre deste ano. Em contrapartida, o Estado reduziu de 17% para 12% a alíquota de ICMS que incide sobre o combustível de aviação
“Em agosto, a empresa passou a ofertar sete novos voos semanais João Pessoa-Recife. Em setembro, começaram a operar voos diários na rota Campina Grande-Recife. E, em dezembro, serão outros sete voos semanais na rota João Pessoa-Campinas”, explicou Feliciano.

Segundo o secretário, o Governo do Estado também está em negociação com a companhia aérea TAP, para que sejam ofertados voos internacionais partindo do Aeroporto Castro Pinto para Europa. “Eu já estive, inclusive, com o presidente da companhia, mas ele informou que falta disponibilidade de aeronave no momento para iniciar a operação. Por isso seguimos em diálogo. No que depender do Estado, iremos atrair esse voo para Europa”, destacou.

Destino Paraíba tem que ser divulgado junto ao consumidor final

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes – Seccional Paraíba (Abrasel-PB), Arthur Lira, o setor não vem sendo afetado com o fraco de ritmo de crescimento de turistas, pois as famílias que residem por aqui suprem essa baixa. Ele reconheceu que o número de pessoas visitaram o Estado no último Verão ficou abaixo do esperado. Mas acredita que essa situação vai mudar nos próximos dois anos.

“Quem visita João Pessoa sai daqui muito satisfeito com a gastronomia, o comércio, o serviço… O turista quer voltar, diz que vai indicar o destino para os amigos, fala que gostaria de morar aqui. Então, mesmo que tenha sido um aumento abaixo do esperado, o turismo na Paraíba está começando a se reerguer. Acredito que o número de visitantes irá crescer entre 5% e 7% nos próximos anos”, comentou Lira.

Para que isso aconteça, a entidade defende que o destino Paraíba seja divulgado diretamente para o consumidor final. “A PBTur faz um excelente trabalho de captação junto às operadoras de viagem. Mas quem decide para onde vai viajar é o cliente final. Então, é preciso que essas pessoas vejam propagandas das nossas cidades nos aeroportos, na televisão… Maceió está fazendo isso muito bem, e isso reflete diretamente no número de turistas”, destacou.

Ellyka Gomes – Jornal Correio da Paraíba

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