Com Parque do Jacaré fechado, Jurandy do Sax continua se apresentando mesmo sem plateia

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Um dos principais atrativos turísticos da Paraíba, o Parque do Jacaré, em Cabedelo, a 18 km de João Pessoa, está fechado por determinação da Prefeitura do município. Seguindo decreto assinado pelo prefeito da cidade, Vitor Hugo, está proibido o acesso de pessoas naquela área. Equipes da Semob (Superintendente de Mobilidade Urbana), Guarda Municipal e Secretaria de Turismo vão permanecer no local, em especial, na hora de maior fluxo, no final da tarde.

De acordo com a Pesquisa Anual do Desempenho do Turismo na Região Metropolitana de João Pessoa (RMJP), realizada pela Federação do Comércio e Turismo da Paraíba no final do ano passado, o pôr do sol na praia do Jacaré é o segundo ponto turístico mais visitado pelos turistas – com 45,57% das citações -, perdendo apenas para o Mercado de Artesanato da Paraíba, que fica em João Pessoa, com 49,79% das citações.

Dados da Secretaria de Turismo de Cabedelo indicam que, em média, o Parque do Jacaré recebe mais de duas mil pessoas por dia, em média, na alta estação, que ficam circulando por bares, restaurantes e barraquinhas de artesanato e alimentação. O local também é visitado por meio de catamarãs, que ficam ancorados próximos ao Parque, com um público acima de 100 pessoas por embarcação.

Vera Lúcia, secretária de Turismo de Cabedelo, disse que o local será interditado provisoriamente e que a movimentação de catamarãs no local vai depender do bom senso dos empresários que exploram esse tipo de serviço. “O setor privado deve também encontrar um bom senso neste momento para, juntos, sairmos vencedores”, disse.

Além do pôr do sol, a maior atração do local é a apresentação do músico Jurandy do Sax, que se apresenta durante a ‘despedida’ do sol, executando o Bolero de Ravel, em cima de um barquinho que navega pela maré. O artista disse que não pretende deixar de executar a música, seja com público ou não. “Tocarei até para ninguém, mas não vou deixar de estar lá todos os dias, a não ser que seja proibido pela prefeitura”, afirmou Jurandy.

O músico é uma figura que ilustra o ambiente durante a contemplação do pôr do sol no local. Para se ter uma ideia, Jurandy já executou o Bolero de Ravel por 7.055 vezes, segundo dados dele mesmo. “Vou continuar me apresentado mais pelo lado emocional, do compromisso com o sol e comigo mesmo!”, apontou.

Porém, na quarta-feira da semana passada, Jurandy se apresentou no Rio Sanhauá, por conta de um acordo comercial com a empresa de receptivo Luck João Pessoa. Impedida de levar seus clientes para a Parque do Jacaré, a empresa levou grupos de turistas para o Hotel Globo, no Varadouro, cenário perfeito para o pôr do sol e local já bastante frequentado pelos visitantes e os paraibanos que residem em João Pessoa.

No dia seguinte o músico se apresentou no Parque do Jacaré. “Eu toquei o Bolero (de Ravel) na praia do Jacaré sem público. Fiz a minha oração diária, cumpri a minha missão. Hoje (ontem) eu não sei se irei tocar e nem onde!”, lamentou Jurandy. Pelo WhastApp, ele enviou um vídeo de uma turista que mostra o momento em que executiva o Bolero em sua canoa e o Parque do Jacaré com apenas meia dúzia de pessoas.

A empresária Christina Teixeira, diretora da Luck João Pessoa, disse que tentou negociar com a Prefeitura de Cabedelo a liberação de grupos com até 70 pessoas no catamarã da empresa, ou o ingresso de grupos menores no Parque do Jacaré. O pedido foi negado.

Fábio Cardoso