Brasileiros que seriam repatriados são isolados em hostel após hóspede ter teste positivo para coronavírus, em Cuzco

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Dois aviões Hércules da Força Aérea Brasileira levaram mais dois grupos de brasileiros que estavam retidos em pelo menos quatro cidades peruanas, no meio da tarde desta quarta-feira (25). Os aviões decolaram do Aeroporto de Cuzco levando ao menos 90 pessoas, a maioria retida há mais de 10 dias na região.

Apesar do alívio desse grupo, nem de perto os problemas da Embaixada brasileira no Peru terminaram. Na mesma tarde em que os aviões decolavam, outro grupo de cinco pessoas foi impedido até mesmo de sair do hostel onde está hospedado. Motivo: agentes de saúde detectaram que um dos hóspedes deu positivo ao coronavírus, e outros dois com suspeita. Imediatamente a área foi isolada e caminhões fizeram o trabalho de desinfetar as ruas do entorno.

Um desses brasileiros, o carioca Romildo Ribeiro, revelou que os agentes de saúde informaram que todas as cerca de 110 pessoas deverão permanecer isoladas no hostel durante um período entre 1 a 3 meses, no mínimo. “Não podemos ficar tanto tempo aqui”, afirmou, revelando que nenhum dos brasileiros tem sintomas da doença. Porém, muitos do que estão na pousada não foram examinados, até porque não há assistência médica.

Em um vídeo postado no grupo de WhatsApp dos brasileiros ‘ainda em Cuzco’, a paulista Natália Santos denunciou que um dos funcionários do hostel estava se sentindo muito mal e sem qualquer assistência médica, ainda na noite de terça-feira. Ela afirmou que, junto com outra brasileira, estava cuidando dele. “A situação é muito crítica e tensa aqui”, revelou Romildo.

O grupo no hostel estava na lista da embaixada brasileira no Peru para embarcar nos aviões da FAB. Romildo confirmou que todos se preparavam para sair do hostel, mas foram impedidos. “Já estamos há 10 dias aqui em quarentena e não estamos com sintomas. Poderiam fazer os testes e nos tirar desse hostel pelo menos”, desabafou o carioca. “Aqui somos considerados todos infectados”, desabafou Natália.

A reportagem tentou manter contato com algum representante da embaixada brasileira no Peru, mas, até o momento não houve retorno.

Fábio Cardoso