Presidente da Abav nacional afirma que só aprovação de MPs pode salvar o turismo brasileiro

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A presidente da Abav nacional (Associação Brasileira das Agências de Viagens), Madga Nassar, afirmou nesta terça-feira (31) que somente a aprovação de duas Medidas Provisórias que tramitam no Congresso Nacional poderão salvar o mercado de turismo brasileiro, em especial, as agências de viagens.

Entre o conteúdo dessas MPs estão questões trabalhistas e financeiras que, se aprovadas, trarão garantias trabalhistas sem riscos de judicialização e fôlego financeiro para que as empresas possam enfrentar os reflexos da crise provocada pelo coronavírus no segmento com mais tranquilidade.

Entre os pontos cruciais para os agentes de viagens está a ‘responsabilidade solidária’. “Temos um grande problema na mão”, afirmou Magda, durante uma Live promovida pela Clube Turismo, nesta terça, que contou com a CEO da Clube, Ana Virgínia Falcão.

A empresária disse que as agências de viagens não podem ser penalizadas pelo descumprimento da venda de uma passagem aérea, já que são apenas prestadoras de serviços e não donas dos serviços.
Esse entendimento, segundo ela, tem eco no Procon de São Paulo, que já “deu uma proteção declarada” de que o entendimento claro de que, hoje, o reembolso não é uma solução. Os clientes precisam deixar o crédito e remarcar a viagem. “O Procon não aceita mais esse tipo de questionamento contra as agências”, enfatizou. Para o setor, é uma ‘quebra de paradigma’.

A questão do reembolso das passagens aéreas tem sido outro debate caloroso. Na MP, as agências poderão parcelar esse reembolso em até 12 meses. No caso do cliente optar por remarcar a viagem, ele não poderá fazer isso exatamente no dia que preferir, pois haverá um período de sazonal em que isso não será permitido. “Todos estão de cabeça virada e temos que colocar esse mundo junto no lugar, de maneira clara e objetiva”, disse.

Na questão trabalhista, a Abav tem procurado uma via de negociação que terá que contar também com a aprovação da MP, pois, nesse recorte, estão as linhas de crédito e uma série de benefícios nesse caos, que seriam abertura de linhas de crédito com juros abaixo do mercado, liberação do FGTS, redução de todos os impostos para as agências, isenção do IPTU, entre outros pontos.

A presidente da Abav admite que a crise fechará muitas empresas e que haverá demissões. “Tenho a certeza que empresas vão fechar nesse momento, pois é uma crise sem precedentes, com até quatro meses sem vendas, com alguns setores sem vender 100%. Com a regulamentação do crédito e trabalhista e remarcação estaremos absolutamente protegidos, passando pela crise ‘tranquilamente’, com documentação, com certeza de que irá para outro patamar. Se for prestador de serviço, acabam as incertezas”, aguarda.

Por outro lado, Magda Nassar afirma que a crise coloca a Abav no papel de protagonista que ela sempre teve, mas que muitos agentes de viagens desconheciam. Dos 63 mil donos de empresas e colaboradores, apenas 2,3 mil são associados. Tem havido crescimento nesse número, mas, segundo a empresária, é insuficiente para mostrar a força da categoria no país.

Com a crise, os profissionais começaram a conhecer as ações da Abav, que sempre tem sido o principal elo com os principais ministérios, como Economia e Turismo. “Trabalhamos 24 horas do dia para passar essa crise de uma forma tranquila, organizada. Vamos passar por isso e voltar a crescer. O agente de viagem é uma profissão de grande valor, e sem a gente não dá para viajar”, disse.

Dados da associação apontam que 80% das passagens aéreas são vendidas pelas agências de viagens, e mais de 90% das vendas de cruzeiros. Resumindo, 85% das vendas de lazer do Brasil são realizadas dentro de uma agência de viagem. “Um consumidor que viaja sem consultar um agente, perde o que essa viagem poderia lhe proporcionar de melhor se não teve a assistência do agente, que precisa entender o mundo, ter um olhar muito amplo sobre os mercados, fazendo a diferença”.

Fábio Cardoso