Jornalista João Costa revela que está sendo ameaçado de morte por fazer oposição a Bolsonaro

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O jornalista e produtor de teatro, João Costa, revelou nesta segunda-feira (01), durante uma live com o editor do Turismo em Foco, Fábio Cardoso, que está sofrendo ameaça de morte por fazer comentários contra a política do presidente Jair Bolsonaro. Durante comentário sobre a sua postura nos programas de rádio em que já atuou, João Costa afirmou que nos últimos meses começaram a se intensificar essas ameaças de morte, sempre pelo MSN, e primeiramente procurou o coronel da Polícia Militar, Euller de Assis Chaves. Em seguida, prestou queixa das ameaças na Polícia Civil, tendo já conversado com dois delegados aos quais preferiu não informar os nomes.

“Logo após a posse de Jair Bolsonaro, as coisas se complicaram, pois havia a tentativa de uma narrativa única. A maneira como agem é através de ameaças, de robôs. Eu fui recebendo ameaças pelo MSN, fui salvando, sem responder. A cada programa com conflitos grandes essas ameaças aumentavam”, revelou o jornalista.

Segundo ele, onde tem robôs, sabe que tem alguém operando. “Pelo texto, via que era o mesmo operador. Não prestei queixa de imediato, procurei os delegados, que me aconselharam a fazer a denúncia, isso, no final do ano passado, e as coisas continuaram aumentando até prestar queixa no dia 14 de março. São vários números diferentes. O modus operandis deles é esse”, pontuou.

Para João Costa, ‘esse pessoal’ não vai sair do governo de forma republicana, “eles vão sair atirando”, advertiu. O jornalista afirmou que Sergio Moro disse, em entrevista nesta segunda-feira, que a “história de flexibilizar o armamento era para armar as milícias para sabotar as prefeituras. Um recado que está mandando para a milícia armada. Ninguém vai comprar arma, o cidadão não compra comida… vai ficar em casa, perdendo seu emprego.”

João Costa fazia parte dos comentaristas do programa Correio Debate, transmitido pela 98FM, emissora de rádio que integra o Sistema Correio de Comunicação – que recentemente fechou as portas do Jornal Correio da Paraíba e demitiu mais de 250 funcionário. Na bancada do programa também atuam Nilvan Ferreira e Victor Paiva.

Assim que foi iniciado o período da quarentena – isolamento social -, por ter mais de 60 anos e ser diabético, o jornalista foi afastado do programa, mas acabou sendo demitido na semana passada, segundo ele, sem qualquer explicação da direção da empresa.

Dizendo uma das suas frases preferidas e que se transformou em um bordão da radiofonia paraibana, João Costa afirmou “não acreditar” que a demissão dele tenha como pano de fundo represália do Sistema Correio, por ele sempre estar se opondo ao Governo de Jair Bolsonaro.

Em uma de seus comentários, inclusive, o proprietário da empresa, o ex-senador Roberto Cavalcanti, chegou a dizer que os jornalistas que fazem da divulgação de mortes por coronavírus um placar de jogo da seleção brasileira, deveriam ser ‘apedrejados’ nas ruas.

Para o jornalista, existe um acovardamento e parcimônia do STF (Superior Tribunal Federal) e a mídia em geral discorda de Jair Bolsonaro, mais pelos arroubos ditatoriais e não pelo mérito, “porque foi a mídia que criou JB, para flexibilizar o mercado, fazer vender as estatais. No mérito, as grandes empresas de comunicação apoiaram esse governo e agora discordam porque viram que elegeram um fascista que está se voltando contra eles mesmos.”

João Costa disse ainda que a Igreja, o Congresso Nacional, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) “estão acovardados”. “Quanto mais ele (Jair Bolsonaro) sabota o isolamento, o desastre será maior, porque o que o Governo Federal não quer é assumir o ônus da crise econômica lá na frente. Vai querer colocar a culpa na Covid-19. Essa crise começou antes, no ano passado. Culpar o isolamento de ser responsável pelo desemprego é mentira.”

A veia oposicionista de João Costa teve início assim que começou a ter experiência no rádio paraibano, já no Sistema Correio da Paraíba, quando o âncora do Correio Debate era Luiz Otávio. A partir de então, começou a fazer os primeiros comentários e entrevistas, sempre ao vivo e sempre polêmico. Em seguida, foi trabalhar na Rádio Arapuan, no programa Rádio Verdade, ao lado de vários comentaristas como Fabiano Gomes e Petrônio Torres, inclusive, em determinado momento, com Nilvan Ferreira.

O jornalista disse que no começo do programa três comentaristas falando primeiro e ele sempre era o quatro e último. Então, pensou, tinha que fazer algo diferente, quando começou a fazer contextualizações contrárias ao que vinha sendo dito, até porque sempre apoiando a linha editorial e empresa da empresa. Esses comentários começaram a provocar debates emblemáticos e, ao mesmo tempo, a garantir mais audiência. Tanto na Arapuan, como no Sistema Correio, os programas com João Costa eram líderes de audiência segundo dados do Ibope.

Aposentado e desempregado, como afirmou, João Costa disse que continua produzido e produtivo e pronto para aceitar novos desafios após a fim da pandemia do coronavírus.

Redação