Casal morto em Pipa (RN) deveria saber do risco que corria ao ficar no pé da falésia

Cotidiano
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A morte do casal Stella Souza e Hugo Pereira e o filho de apenas 7 meses de idade, soterrados na praia dos Golfinhos, em Pipa (RN), no começo da tarde desta terça-feira (17), após desmoronamento de parte da falésia, não é um acidente raro naquela área, conforme algumas pessoas ouvidas pelas reportagens dos veículos de comunicação do Rio Grande do Norte.

Conforme o pescador João Marinho, primo de Stella, ouvido pelo G1RN, esse tipo de incidente acontece sempre naquela área, principalmente, após a alta da maré, que faz com que as águas do mar batam com maior impacto no paredão.

Marinho, nascido e criado na região, afirmou ainda que “cada vez mais o mar está destruindo a falésia. A gente vê os turistas aproveitando a sombra das falésias e pede pra eles saírem porque a gente sabe do risco”.

O depoimento do pescador indica, de certa forma, que o casal sabia do risco que estava correndo. Reforçando esse entendimento, a Prefeitura de Pipa afirmou que um fiscal teria avisado o casal para não ficar naquele local e que as placas de advertência colocadas naquela área são destruídas justamente pelo movimento do mar.

A reportagem do Turismo em Foco ouviu alguns amigos que residem em Natal (RN) e que costumeiramente passam o final de semana em Pipa. Todos disseram que o intenso movimento de veículos, a construção irregular de residências e até de pousadas são indicativos de que o local é de risco para as pessoas. Também não há qualquer tipo de fiscalização por parte do poder público.

 

Efeitos idênticos na barreira do Cabo Branco

A destruição da falésia na praia dos Golfinhos é um fenômeno que os paraibanos conhecem bem de perto, na barreira do Cabo Branco, Em João Pessoa, o mar literalmente já ‘engoliu’ grande parte da falésia do Cabo Branco, numa ação denunciada há mais de 30 anos por ambientalistas. Quem conhece de perto aquela área, lamenta. Há mais de 30 anos, na Praça de Iemanjá, funcionava o Clube dos Engenheiros, com quadra esportiva, salão de festa e até uma boate. O mar levou tudo.

Para agravar ainda mais a situação, segundo os ambientalistas, a construção da Estação Ciência, a menos de 50 metros do Farol do Cabo Branco, teria acelerado ainda mais o processo de destruição da falésia. Naquela área, o movimento de veículos era intenso, o que foi proibido quando parte do asfalto começou a desaparecer, caindo na areia do mar com o processo acelerado de erosão.

A atual administração da prefeitura de João Pessoa iniciou um amplo projeto de recuperação da barreira do Cabo Branco, com esgotamento nas vias de acesso e colocando pedras no pé da falésia, uma medida que revoltou moradores, ambientalistas e a própria população da capital paraibana. No final da semana passada, a prefeitura informou que o projeto na areia teria sido concluído.

Apesar do riscos eminentes de acidentes, não houve qualquer registro mais grave na barreira do Cabo Branco.

Fábio Cardoso