Aumentam as vendas de cruzeiros marítimos no Brasil e Cabedelo está na rota das grandes companhias

Brasil Destaque Fábio Cardoso

A temporada 2021/2022 dos cruzeiros marítimos na costa brasileira já embarcou cerca de 75 mil passageiros em três navios em operação até agora (MSC Seaside, MSC Preziosa e Costa Fascinosa). Os números, de certa forma, são animadores, segundo Marco Ferraz. presidente da Clia Brasil – Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (braço nacional da Cruise Lines International Association, maior entidade do setor de cruzeiros no mundo). 

Ferraz falou por telefone com o Turismo em Foco, na sexta-feira (17), e afirmou que na atual temporada o Brasil receberá apenas oito navios, com a expectativa de atender 360 mil cruzeiristas novos, já que muitas vendas fechadas antes da pandemia da Covid-19 estão sendo remarcadas para essa temporada. Ao todo, a temporada terá três navios da Costa Cruzeiros e cinco da MSC Cruzeiros.

As vendas estão sendo aceleradas e Ferraz admitiu que muitos passageiros ainda estão com receio de viajar em razão da Covid-19. No entanto, os agentes de viagens já percebem que os clientes estão se sentindo mais seguros, principalmente, porque as armadoras tomaram todas as medidas necessárias para atender a todos os protocolos de biossegurança e reduzir a zero o risco de contaminação dentro das embarcações. Há o efeito do processo acelerado de vacinação em todo o mundo. No Brasil, quase 68% da população já está vacinada com as duas doses. 

Entre essas medidas estão menor número de ocupação das cabines; uso permanente de máscaras à exceção no momento de alimentação; buffet com distanciamento de mesas e número reduzido de passageiros, além de porções de alimentos prontas para consumo. Houve aumento no número de shows nos teatros e horário de uso dentro dos cassinos. Para ingressar nos navios, também há exigências como comprovante de vacinação e teste para saber se o passageiro está com a Covid-19.

A venda de cabines disparou durante a semana do Black Friday, conforme informou Ferraz. Os preços ofertados foram bastante competitivos e o custo/benefício “muito bom”. A estimativa da Clia Brasil é de que a temporada 2021/2022 injete na economia cerca de R$ 1,7 bilhões e gera 24 mil empregos, um aumento entre 10% a 20% em relação à última temporada.

Cabedelo na rota

Sobre a possibilidade do Porto de Cabedelo (PB) voltar a receber navios de cruzeiros, Marco Ferraz disse que o equipamento está na rota para a realização de testes das empresas que operam os cruzeiros, mas sem data ainda definida. O perfil do cruzeirista brasileiro aponta que o cruzeiro de médio curso é o preferido, com saídas e chegadas nos portos de Santos (SP) e Rio de Janeiro (RJ), com escalas em portos como os de Salvador (BA), Maceió (AL) e Recife (PE), além de cidades do Sul do Brasil.

Para que Cabedelo possa ser inserido nas futuras temporadas de cruzeiros, o aumento de profundidade do calado é fundamental, mas apenas um requisito exigido pelo mercado. Além de ter demanda, a melhoria da malha aérea é essencial, o que reduziria tempo de viagem e preços dos pacotes à venda. Ferraz disse que há uma grande expectativa do mercado para que haja 95 novas embarcações nos mares nos próximos seis anos. Desta forma, as armadoras já estão em campo procurando novos portos e roteiros. “Essas operações levam no mínimo dois anos para serem concretizadas”, alertou.

O retorno das companhias aéreas internacionais para o Brasil, em especial no Nordeste, que tem dois grandes hubs – Fortaleza e Recife – pode dar uma acelerada no processo de ocupação dos portos na região. “O Nordeste, por si só, não enche navios, por isso, é necessário atrair cruzeiristas dos Estados Unidos, Europa, América do Sul (Argentina e Uruguai)”, pontuou o presidente da Clia Brasil.

Ferraz revelou que há um sonho antigo de se colocar um cruzeiro que opere no Brasil durante todo ano e que o Nordeste seria o mercado ideal para concretização desse projeto, já que o sol é um produto que pode ser ‘consumido’ durante todos os 365 dias do ano. Um cruzeiro de longo curso com várias escalas no Nordeste seria um sonho possível, desde que as cidades se programem para movimentar esse segmento.

Fábio Cardoso