As pessoas só ‘correm’ para criticar

Destaque Fábio Cardoso

A febre das corridas de rua no Brasil tem criado alguns tabus e algumas ideias, na minha opinião distorcidas da realidade, quando se faz referência às atividades físicas e o custo para a melhoria de performance. Cito aqui a Corrida 100% Você, ideia genial de marketing da equipe do cantor baiano Bell Marques, que sacou que se podia juntar esporte e cultura, correr e curtir um show. Por que não?

As corridas do cantor são fenômenos de inscrições, se esgotam em pouco tempo e olha que não é barato para os padrões de outras competições. O valor médio dessas corridas têm sido R$ 180. A 100% Você, como muitos estão postando nas redes sociais, chegou a R$ 300. E é nesse ponto que muita gente está de apegando para, de certa forma, querer criticar.

“Você pagaria R$ 300 para correr?”, muitos questionam. E por que não, se eu curto esse esporte e acho excelente a proposta de agregar a um show do cantor baiano. E posso dispor desse valor. Poderia ser um sertanejo, um roqueiro, um pagodeiro. Ou será que a crítica é porque estamos falando de Bell Marques, artista com mais de 70 anos de idade e que continua em grande forma física e mental? Uma carreira de gigantesco sucesso popular.

Poderíamos questionar: você pagaria R$ 500 em uma garrafa de vinho em um restaurante durante um jantar? Só a garrafa, deixo claro, porque ainda tem o valor da entrada, prato principal e sobremesa. Sim, e o vallet do estacionamento e, quem sabe, ainda uma gorjeta para o flanelinha. Esse gasto ninguém questiona não é mesmo?

Também vejo comentários sobre a remuneração dos profissionais de saúde, muitos deles nessa área específica da preparação física. Realmente são baixos, mas entendo que o incremento e popularização dos esportes, como a corrida de rua, criam uma nova expectativa de geração de emprego e renda nessa área. Apenas uma assessoria esportiva, com uma equipe de cerca de 20 profissionais, tem matriculados mais de 600 pessoas, que estão optando por profissionais especializados para melhorar performance e ter acompanhamento especializado na preparação física, com saúde.

O custo médio mensal dessas assessorias esportivas gira em torno de R$ 250 – para mais ou para menos, um custo que centenas estão arcando sem somar com a atividade feita nas academias de ginástica, algumas, com preços bem superiores aos praticados pelas assessorias. Claro, a estrutura é outra, mas a essência do bem-estar, da preparação física com excelência, é a mesma. Depende de seu ponto de vista.

Sou a favor sim, de forma inegociável, às corridas de rua, sejam elas do Bell Marques ou do Hemocentro da Paraíba, que está promovendo uma corrida neste sábado, em João Pessoa, como forma de atrair e incentivar a política de doação de sangue. A inscrição foi uma bolsa de sangue, que é muito mais valiosa do que um kit com camisa, meia, medalha e viseira.

Sou a favor porque a cada corrida de rua em uma cidade como João Pessoa, nos finais de semana, a rede hoteleira registra um aumento extra de até 20%, isto é, se a média de ocupação é de 65% sem a competição, com ela, sobe para 85%. Isso sem falar na injeção de dinheiro novo na Capital com gastos com transportes, alimentação, passeios, roupas e comércio em geral.

Fábio Cardoso – Foto: Divulgação