Iberia investe no Nordeste por meio de Recife e Fortaleza e tem João Pessoa, Maceió e Salvador no radar

Aviação Destaque

O Brasil está experimentando uma mudança importante no Mapa Turístico por meio de uma ação promovida pelas companhias aéreas estrangeiras e o Nordeste tem sido o foco da maioria delas que já operam no mercado nacional no eixo Rio-São Paulo-Brasília. No final de semana passada, a Iberia – companhia espanhola – deu início a sua inédita operação no Aeroporto do Recife (PE). Serão três frequências semanais, inicialmente, com voos seguindo para Madri, levando brasileiros para a Espanha e trazendo esponhóis/europeus para Pernambuco, permitindo ainda conexões para outros diversos países da Europa. O próximo investimento da Iberia será em Fortaleza, igualmente, com três conexões.

Na segunda-feira (15), a empresa reuniu a imprensa pernambucana – o TURISMO EM FOCO esteve presente, como único veículo de comunicação da Paraíba convidado – para uma conversa com Antonio Linares, diretor de Vendas da Iberia na Espanha, Portugal e Norte da África; Luis Martín Izquierdo, vice-conselheiro de turismo da Comunidade de Madri, e Raphael de Lucca, gerente comercial no Brasil. Na oportunidade, apresentaram detalhes da operação no Nordeste, da estrutura operacional nos mercados onde atua e admitiram a possibilidade de investir em outros destinos da região, citando João Pessoa (PB) e Maceió (AL).

De acordo com Raphael de Lucca, destinos “secundários” como as capitais paraibana e alagoana estão no radar da Iberia, mas em um outro momento, “a longo prazo”, porque será necessária que a companhia aérea bata algumas metas estabelecidas com o início das operações em Recife e Fortaleza. A primeira delas é consolidar os voos e a capital pernambucana, conforme revelou, está respondendo de maneira muito positiva, inclusive, abrindo a possibilidade de contar com frequência diária a curto prazo.

“No primeiro momento a gente começa com Fortaleza e Recife, porém nós vamos acrescentar 45% de aeronaves nos próximos anos, que são aeronaves de longo alcance. Então, nós teremos dois vetores de crescimento: primeiro, nas frequências onde nós já voamos, como no caso do Rio de Janeiro, que nós temos a intenção de tornar o voo diário em curto e médio prazos e, claro, a abertura de novas rotas. Não está descartado nenhum destino, como Salvador (BA) e, quem sabe, outras cidades nordestinas, mas, nesse momento, nós estamos dando uma atenção especial nos dois destinos que estamos começando a operar, como Recife, que estamos muito bem em relação à saúde da operação. Então, é trabalhar para aumentar essas frequências aqui e com tempo nós vamos analisando outras opções”, pontuou o executivo.

Raphael de Lucca explicou também, que a opção por Recife e Fortaleza, e não Salvador, teve critérios técnicos e operacionais. As duas cidades “saíram na frente”, segundo ele, por conta do equipamento usado nesses voos, um Airbus A321XLR, que pode realizar voos de até 4.700 milhas náuticas (8.700 km), permitindo voos transcontinentais e transoceânicos longos, como entre o Brasil e a Espanha. Esse equipamento tem capacidade para atender até 182 passageiros e está em serviço na Iberia há pouco mais de um ano.

“O equipamento é novo e somos a primeira companhia operá-lo. É uma aeronave de um corredor, de longo alcance e esse longo alcance tem os dados originais de fábrica com relação à autonomia de voo, decolagem/pouso, por isso, a gente precisa testar um pouco no sentido do que a gente possa vir estender um pouco para Salvador. Está um pouquinho mais distante, talvez, para Salvador. Lá, a gente teria que operar com Airbus. Tudo isso ainda é olhar muito inicial, estamos falando de um avião com capacidade de atender 250 passageiros e aí já muda um pouco do cenário comercial, considerando que Salvador tem uma competição um pouquinho maior do que a gente tem em Fortaleza e Recife”.

Atuação da Aena foi decisiva para a operação em Recife

Ainda de acordo com o gerente comercial da Iberia no Brasil, a participação da Aena – administradora do aeroporto do Recife – no processo de negociação para viabilizar o voo para a capital pernambucana foi fundamental. Nesse sentido, ele estendeu o entendimento positivo para outras empresas que passaram a administrar os aeroportos brasileiros. “Todas as concessionárias que estão começando a atuar nos aeroportos brasileiros, e aí eu faço uma menção desde o processo de concessão e não privatização, a gente já vê uma grande evolução, porque a concessionária entra quase como uma sócia nesse processo de captação de voos”, afirmou.

No processo de captação do voo para Pernambuco, De Lucca afirmou que a Ana esteve “brigando e negociando junto conosco, com os governos, formando de fato uma aliança para esse voo. Quando a gente fala aqui de Pernambuco, a gente teve claro o trabalho super efetivo da Aena conosco na questão do planejamento, fornecendo informações técnicas do aeroporto, números do potencial de passageiros, entre outros dados, formando, de fato, uma aliança, contando também com a Empetur (Empresa Pernambucana de Turismo) para atrair esse voo”, revelou.

Potencial da Iberia e promoção da Espanha

Durante o encontro de segunda-feira, realizado no Novotel Marina, Antonio Linares, diretor de Vendas da Iberia na Espanha, Portugal e Norte da África, apresentou alguns indicadores técnicos da estrutura operacional da companhia aérea, bem como números relativos ao que pretende atingir na operação iniciada em Recife. A Iberia atualmente conta com uma frota em crescimento no número de aeronaves. O “Plano de Voo 2030”, que abrange a estratégia até 2033, prevê o aumento da frota do grupo de 48 para 70 aeronaves para servir a região, um acréscimo de quase 45%, investindo especialmente em equipamentos de longa alcance. Atualmente são cinco Airbus A350; 20 Airbus A330 e 23 Airbus A321-XLR.

A Iberia projeta encerrar o ano de 2025 com a oferta de mais de 590 mil assentos no Brasil, volume 27% superior ao registrado em 2024. Segundo a companhia, 80% desse aumento vem das novas rotas para Recife e Fortaleza, com três voos semanais cada, a partir de dezembro e janeiro de 2026.

A Iberia opera para 145 destinos com voos próprios para 49 países, além de outros 400 voos com códigos de compartilhamento em mais de 80 países. Para a América Latina, a companhia aérea voa para 21 destinos em 16 países, com mais de 350 voos semanais. O projeto de expansão estabelece incremento de voos para Buenos Aires, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Rico. Início de novos voos para Fortaleza, Recife e Montevidéu. E crescimento na República Dominicana, Peru, Chile, Porto Rico, entre outros.

Em todo o processo de operações, a Iberia conta com codeshare em todos os continentes com outras companhias aéreas. Essas alianças estratégicas são distribuídas em 87 destinos na América do Norte, com a American Airlines; 69 destinos na América do Sul, com a Latam; sete destinos com a Pegasus; três destinos com a Japan Airlines, além de 60 destinos na Ásia e Oceania com a China Airlines e Qatar.

Madri por mais um dia para os brasileiros

Luis Martín Izquierdo, vice-conselheiro de turismo da Comunidade de Madri, anunciou, durante o encontro com a imprensa, um incentivo a mais para que os brasileiros voem para a Espanha pela Iberia. A companhia está oferecendo um ‘Stopover Madri’, com uma tarifa única que permite uma escala na capital espanhola sem custo adicional de voo. Nesse dia, serão oferecidos passeios inesquecíveis, ampliando de um a nove noites a experiência na cidade.

Para essa operação, os clientes terão à disposição 200 fornecedores, entre hotéis, lojas, restaurantes, entre outros. Os roteiros incluem compras no comércio, gastronomia, transportes, atividades culturais. “Queremos que os brasileiros, em especial, do Nordeste, conheçam Madri, que é uma cidade maravilhosa e tem roteiros esplendorosos para todo perfil de turistas”, afirmou Izquierdo.

Fábio Cardoso – Fotos: TF e Adler Corrêa