Quem associa a Patagônia apenas a lagos gelados, pesca esportiva e vilas alpinas pode se surpreender ao descobrir que um dos seus roteiros mais estruturados para a Semana Santa está ligado à fé. A cerca de 42 km de San Martín de los Andes, na província de Neuquén, a pequena Junín de los Andes abriga o Vía Christi, um parque temático-religioso que transforma a encosta de um morro em percurso artístico sobre a vida de Jesus.
Pouco conhecido do público brasileiro, o Vía Christi foi concebido como um espaço de diálogo entre espiritualidade cristã e identidade latino-americana. O lema do parque “Padre, que sejamos um” orienta uma proposta que vai além da Via-Sacra tradicional. Ao longo de 23 estações, distribuídas em cerca de 1 km de caminhada, o visitante percorre não apenas a Paixão, mas também episódios da vida pública de Cristo, da encarnação à pesca milagrosa após a ressurreição.
Uma releitura latino-americana da vida de Cristo
São 55 obras espalhadas pela trilha. As primeiras estações abordam o batismo, as tentações e as bem-aventuranças. Em seguida, surgem passagens como o Pai-Nosso, a multiplicação dos pães e o lava-pés. Só então o trajeto entra na sequência mais conhecida: a última ceia, a traição, o julgamento, a crucificação e a morte. O percurso termina com cenas da ressurreição e dos encontros com os discípulos.
O diferencial está na leitura simbólica. O parque estabelece paralelos entre o Evangelho e a história contemporânea da América Latina, incorporando referências sociais e culturais do continente. A presença da cultura mapuche, predominante na região, é explícita. Junín de los Andes abriga mais de seis comunidades indígenas que participam da vida cotidiana da cidade, e essa herança aparece nas esculturas e na concepção artística do espaço.
A ideia é propor reflexão não só religiosa, mas também histórica e identitária. Para muitos visitantes argentinos, a experiência ganha peso especial durante a Semana Santa, quando grupos organizam caminhadas e celebrações ao longo do percurso.
Cristo Luz e a montanha
Após a 23ª estação, o visitante pode seguir por mais 1 km em subida até o ponto mais alto do parque, no Cerro San Pedro. Ali está o Cristo Luz, uma escultura de 57 metros de comprimento por 47 metros de largura, construída em ferro e vidro, em formato de vitral tridimensional.
A obra representa Cristo ressuscitado emergindo da montanha. A transparência do material permite a passagem da luz natural, criando variações ao longo do dia. Do alto, é possível avistar o vale e, ao fundo, o perfil do vulcão Lanín, um dos marcos da paisagem da região.
Fé integrada ao destino
O Vía Christi não é a única referência religiosa da cidade. Junín também abriga o Santuario Nuestra Señora de
Ao mesmo tempo, o município mantém forte vocação turística ligada à natureza. É conhecido internacionalmente pela pesca com mosca nos rios Chimehuín, Malleo e
Essa combinação permite que o visitante monte um roteiro híbrido para o feriado: parte espiritual, parte paisagem. Pela manhã, é possível percorrer o parque; à tarde, explorar a região andina ou circular pelo centro da cidade.
Serviço
O Vía Christi funciona diariamente, das 9h às 20h. Os ingressos variam conforme categoria e nacionalidade, com valores entre 10 e 50 reais.
O percurso principal tem cerca de 1 km e leva, em média, 1h30. A subida até o Cristo Luz acrescenta mais 1 km e cerca de 30 minutos de caminhada. Pessoas com mobilidade reduzida podem contratar, na recepção, quadriciclos com capacidade para até três passageiros.
No meio do trajeto, próximo à estação conhecida como Cruz Branca, há uma cafeteria com espaço interno e externo.
Junín de los Andes está a 390 km da capital Neuquén, pela Ruta Nacional 40. Desde San Martín de los Andes, o acesso leva menos de uma hora de carro. O aeroporto Aviador Carlos Campos (Chapelco) fica a cerca de 20 minutos da cidade.
Para quem busca um destino internacional diferente para a Semana Santa, fora dos circuitos mais conhecidos da Europa ou das grandes procissões brasileiras, a Patagônia oferece uma alternativa que combina caminhada, arte monumental e tradição religiosa em meio às montanhas andinas.
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Assessoria de imprensa – Fotos: Divulgação



