A crise de renovação de atletas de alto nível no vôlei de quadra do Brasil também está sendo observada no vôlei de praia masculino. Essa é a opinião de Rossini Freire, considerado uma verdadeira lenda dos bastidores do vôlei nacional e que está à frente do Centro de Treinamento (CT) Cangaço Vôlei de Praia, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa, ao lado de outra lenda paraibana, o ex-jogador Gilmário Cajá.
Para Rossini, no vôlei de praia a atual lenta renovação acontece porque muitos dos melhores técnicos brasileiros estão atuando fora do Brasil. A Paraíba, que já foi referência no esporte, passa por um processo de recuperação e que receberá um incremento financeiro importante nos próximos dias, por meio de uma parceria com o Ministério dos Esportes e a Confederação Brasileira de Vôlei. Representantes das duas entidades virão a João Pessoa para selar a parceria.
Com o incremento financeiro, conforme Rossini, será possível realizar um trabalho de “repatriação” de talentos que surgiram na Paraíba e quem foram contratados por clubes com maior poder financeiro. A saída de atletas com maior potencial técnico, assim como os treinadores, provocou, segundo o dirigente, uma perda de referência, apesar de João Pessoa continuar sendo a única cidade brasileira a constar no calendário de competições de vôlei de praia nacional e internacional.
Na semana passada, a capital paraibana sediou o Torneio Pré-Olímpico Sul-Americano de Vôlei de Praia, masculino e feminino. Rossini avalia que, a partir desse “resgate” dos atletas para a Paraíba, o estado volte a desenvolver esse projeto com melhores resultados com os atletas iniciantes, que precisam de referências.
O atual momento do vôlei de praia no masculino, de acordo com o dirigente, deve afastar os atletas de chances de conquista de medalhas. As competições estão cada vez mais acirradas e os atletas estrangeiros ainda mais preparados, inclusive, pelas mãos de treinadores brasileiros. Rossini fez uma relação com o futebol brasileiro, com a presença de treinadores estrangeiros, muitos portugueses, atuando nos principais clubes brasileiros. O esporte está globalizado e tem sido cada vez mais forte essa concentração de treinadores estrangeiros em um ou outro país.
Por outro lado, no vôlei de praia feminino, Rossini não tem observado queda de rendimento, inclusive, sem citar nomes de atletas, ele aposta que o Brasil será um forte candidato a conquistar medalhas, até de ouro nas Olimpíadas. Assim como o vôlei de quadra, as mulheres continuam fortes no cenário internacional, já classificadas para a Olimpíada de Los Angeles, em 2028, após conquistar o Sul-americano, realizado na semana passada, no Brasil.
Outro ponto destacado pelo dirigente, é que a crise de talentos no vôlei não está relacionada ao investimento de patrocinadores no esporte, pelo contrário, existe uma base e relação consolidada por meio da Confederação Brasileira de Vôlei, com o setor privado, assim como com recursos do Governo Federal. O vôlei, conforme Rossini, continua sendo um esporte altamente rentável e popular e atraindo tanto novos atletas como torcedores, o que justifica a assertiva das empresas que patrocinam os clubes e competições.
Falando sobre os talentos brasileiros, Rossini coloca o paraibano Zé Marco como inigualável tecnicamente. O premiadíssimo atleta, medalhista de Prata em 2020, na Olimpíada de Sydney, é considerado pelo dirigente um dos mais completos da modalidade, mas ele coloca o paranaense Emanuel Rego como o mais completo do muno. Os dois formaram uma dupla dominante nos anos 90, conquistando dois títulos mundiais por circuitos e acumulando dezenas de medalhas de ouro em etapas internacionais.
Na opinião de Rossini, o número de conquistas de Emanuel o faz o mais completo, o mais vitorioso. O atleta conquistou Ouro em Atenas 2004 (com Ricardo Santos), Prata em Londres 2012 (com Alison Cerutti) e Bronze em Pequim 2008 (com Ricardo Santos). Foi 10 vezes Campeão do Circuito Mundial e é o recordista absoluto de títulos da temporada (1996, 1997, 1999, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2011). Assim como Zé Marco, ele está no Hall da Fama internacional e do Comitê Olímpico Brasileiro.
Atualmente, Emanuel atua como Diretor-Geral do Comitê Olímpico do Brasil (COB), o cargo executivo mais importante da entidade, sendo o principal responsável por liderar e coordenar todo o planejamento estratégico do esporte brasileiro visando o ciclo dos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.
Fábio Cardoso – Foto: TF



