Tradição doceira de Pelotas é declarada patrimônio imaterial do Brasil

Brasil
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Depois do conjunto histórico, a tradição doceira de Pelotas foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. A decisão foi anunciada no dia 15 de maio, durante votação do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília.
É a primeira vez, na história do Iphan, que a certificação se dá para uma mesma cidade, em ambas categorias ao mesmo tempo – material e imaterial. O projeto foi aprovado por unanimidade.
Iguarias como quindim, bem casado, camafeu, figo em calda, amanteigado, ameixa recheada, abóbora cristalizada, entre outros, fizeram com que a região ficasse conhecida como a “terra do doce”. Além de Pelotas, estão incluídos no projeto os municípios de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu – chamados de Antiga Pelotas.
Os Doces de Pelotas fizeram com que a região ficasse conhecida como a ‘terra do doce‘ e o pedido partiu da Câmara de Dirigentes Lojistas de Pelotas (CDL) e da Secretaria de Cultura de Pelotas. A ideia era promover e valorizar a produção de doces como uma referência cultural da região.
A principal tese está no fato de que a produção de charque, principal atividade econômica de Pelotas no fim do século 18, influenciou diretamente o desenvolvimento das receitas dos doces.
A venda de carne para o Nordeste do país permitiu acesso ao açúcar que era produzido naquela região, pois o transporte era realizado pelos mesmos navios.
A moeda doce foi parar nas cozinhas das fazendas de Pelotas. Surgiram as primeiras receitas feitas por portuguesas e africanas e, em seguida, o modo de fazer dos imigrantes alemães e franceses.
No pedido de reconhecimento está incluído um plano de preservação do modo de produção dos doces na região, com ações para a manutenção e transmissão do conhecimento para as próximas gerações.
O reconhecimento valoriza a forma como são feitos os doces finos e coloniais ao longo dos anos, com poucas alterações nas receitas e na forma de fazer.
No mesmo dia, os membros do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidiram, por unanimidade, pelo tombamento do Conjunto Histórico de Pelotas. O conjunto é formado por quatro praças, um parque, a Chácara da Baronesa e a Charqueada São João.
A última, construída entre 1807 e 1810, fica às margens do Arroio Pelotas. O local ficou conhecido nacionalmente por ser cenário da minissérie “A Casa das Sete Mulheres”, exibida na Rede Globo em 2003.
As praças citadas são José Bonifácio, Coronel Pedro Osório, Piratinino de Almeida, Cipriano Barcelos e o parque Dom Antônio Zatter.
Com o tombamento, cerca de 80 prédios são protegidos por lei federal. Os locais terão a gestão compartilhada entre os governos municipal e federal.
Kismara Beatriz Ribeiro – Sócia-Diretora na Estúdio Marcas