Campina e Caruaru: maiores festejos juninos, longe de serem os mais tradicionais

Destaque Fábio Cardoso
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O modelo dos festejos juninos de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) precisa ser reavaliado? Na opinião do pernambucano Xico Sá, urgentemente. Segundo comentário do jornalista durante um debate esportivo na ESPN Brasil, os dois eventos se transformaram em uma grade cultural que atende tão somente interesses de uma empresa que detém a agenda dos grandes artistas nacionais, independente do ritmo, para se apresentar, o que tira qualquer sentido cultural do forró pé de serra.
Xico Sá fez o comentário ao ser indagado sobre as festas juninas no Nordeste e a disputa entre Campina e Caruaru para ostentar o título de Maior São João do Mundo. O jornalista, de forma bastante sutil, não deixou de criticar o formato das festas, afirmando que prefere curtir os festejos juninos em cidades menores e que realizam eventos com características regionais, valorizando os artistas locais e, acima de tudo, o forró tradicional.
Em Campina Grande, não é só o formato da festa está sendo questionado vez e outra, mas também, agora, com mais força, o local do evento. Após o incêndio de uma dezena de barracas e quiosques, ocorrido no último sábado (30), o Parque do Povo entrou na pauta das pessoas que passaram a questionar a sua infraestrutura.
No ano passado, o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, havia admitido mudar o local da festa justamente porque o evento não cabia mais no Parque do Povo. Na oportunidade, foi apresentada uma maquete do projeto que seria desenvolvido para a mudança do local, com maior espaço.
No projeto apresentado, haveria um acesso ao Parque do Povo pela rua João Moura até o Polo de Eventos Poeta Ronaldo Cunha Lima – novo espaço localizado na Estação Velha, próximo ao Açude Velho, e que contará com seis ambientes. Um deles será a “Vila da Poesia Popular”, para apresentações de poesias, cordéis, repentistas, emboladores de coco e literatura de cordel.
O local abrigará um tipo de museu resgatando a história do São João de Campina Grande, com “Memorial do Maior São João do Mundo”, “Memorial fotográfico Luiz Gonzaga”, “Memorial Jackson do Pandeiro”, “Memorial das Quadrilhas” – que vai conter as histórias desde o início das quadrilhas -, “Memorial de Marinês” e “Memorial da Sanfona”.
Esse projeto não saiu do papel. Agora, após o incidente de sábado, o tema volta com força e todos pedem uma posição concreta e urgente da prefeitura sobre a mudança. Além da falta de infraestrutura e agora o risco de um acidente mais sério nas áreas de circulação de pessoas – todos são unânimes em afirmar que se o incêndio fosse um pouco mais tarde haveria um risco de uma tragédia pelo número de pessoas que poderiam estar no PP naquele momento – mais do que nunca é preciso uma resposta da prefeitura.

Fábio Cardoso