Visitantes precisam vivenciar experiências do Turismo Rural

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Atrair turistas para vivenciar a natureza e a cultura do interior. Esse é o objetivo maior do chamado ‘turismo rural’, um desdobramento da economia criativa que vem transformando cidades do semiárido paraibano.

O distrito do Marinho, localizado no município de Boqueirão, por exemplo, conseguiu aumentar em 400% o fluxo de turistas no ano de 2017. Em 2018, o local recebeu cerca de dois mil turistas. Tudo isso graças a um projeto que surgiu há cinco anos, conforme explicou o condutor turístico que é diretor de Cultura e Turismo do município, Nadilson Valentim.

O distrito possui um lajedo que tornou-se uma das principais atrações turísticas da área. No local, os condutores turísticos explicam sobre as características geográficas da região, falam sobre preservação da natureza e o uso consciente da água. A água da chuva é coletada no lajedo para abastecer a comunidade local.

Na mesma área, um camping se transforma em restaurante para que os turistas possam apreciar a culinária local, tudo feito com ingredientes regionais. “Só compramos fora o que não tem produção aqui, como arroz e macarrão, o resto é tudo daqui”, afirmou Nadilson.

Outras atividades, como pôr do sol ao som de sax e oficinas de crochê, também estão disponíveis para os visitantes. A venda dos produtos de crochê, aliás, é um dos pontos fortes da economia criativa local.

Além dos condutores turísticos, restaurantes e artesãos, a cadeia de atividades acaba gerando emprego e lucro de forma indireta para diversos produtores locais, como criadores de frango, mercadinhos e postos de combustíveis.

A gerente de Gestão do Conhecimento do programa Semear Internacional, Aline Martins, explicou que o turismo rural também é um turismo de experiência, pois o visitante é convidado a conhecer, não só os produtos da cidade, em especial a agricultura familiar e o artesanato, como também os produtores. “É também uma forma de preservar a cultura”, disse.

Trabalhos das crocheterias do Distrito do Marinho

Intercâmbio

Experiências bem-sucedidas de comunidades rurais no interior da Paraíba, como o caso do Lajedo do Marinho, serão apresentadas e servirão de exemplo para moradores de outros municípios e estados durante o “Intercâmbio com foco no Turismo Rural no Semiárido – Conhecer, valorizar e manter o semiárido brasileiro”. O evento será realizado a partir de amanhã, até a próxima sexta-feira, e passará pelos municípios de Areia, Boqueirão e Cabaceiras, sendo encerrado neste último dentro da Festa do Bode Rei.

Participarão cerca de 30 pessoas de cinco estados do Nordeste beneficiárias de projetos apoiados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), no Brasil. O intercâmbio é uma realização do Fida e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), através do programa Semear Internacional, em parceria com o Governo do Estado da Paraíba, através do projeto Procase, e a Corporação Procasur.

A comitiva visitará as cidades selecionadas para conhecer iniciativas com forte potencial turístico em suas regiões, e que recebem o apoio do Procase. A intenção é mostrar aos visitantes como cada lugar se desenvolveu dentro do turismo rural.

A gerente de Desenvolvimento Humano do Procase, Maria Aparecida Henriques, contou que atende 56 municípios paraibanos com acordos de empréstimos que apoiam projetos como caprinocultura e artesanato, entre outros. Jovens, mulheres e comunidades quilombolas estão entre os grupos prioritários do Procase.

“Acreditamos que as belezas naturais e humanizadas que existem no Semiárido podem ser facilmente usadas a favor da potencialização do turismo rural e ecológico, alavancando assim a economia e a cultura local. Nestas comunidades, produtoras e produtores rurais vêm se tornando empreendedores, e junto com os Governos municipal e estadual e com apoio do Procase e do Fida estão fazendo um ótimo trabalho nesse sentido”, explicou Aline Martins.

Restaurante de Vó Maria, na cidade de Areia

Replicar experiências

O intercâmbio funcionará como uma troca de saberes para produtores que podem replicar as experiências de sucesso em suas comunidades. Ao todo serão seis visitas, nas quais a comitiva irá conhecer, no município de Areia, o Projeto Flores Vila Real, que se destaca pelo protagonismo feminino e práticas exitosas de seus sistemas produtivos; e o Restaurante Vó Maria que oferece refeições com produtos locais provenientes da agricultura familiar.

Na cidade de Boqueirão, as Crocheteiras do Marinho e Lajedo Marinho receberão os intercambistas para falar de como inseriram a produção e venda das peças na cadeia turística local. Ainda em Boqueirão, na sede do Coletivo Asa Cariri Oriental (Casaco), que lida com práticas agroecológicas envolvendo mais de 30 propriedades da agricultura familiares, serão mostrados como os produtores desenvolveram a produção e venda dos produtos.

No município de Cabaceiras, a comitiva visitará a sede da Cooperativa dos Curtidores e Artesãs de Couro de Ribeira de Cabaceira (Arteza), que usam tecnologias sociais sustentáveis na manipulação de peles de ovinos e caprinos.

O intercâmbio será encerrado no primeiro dia da Festa do Bode Rei, na sexta-feira, no tradicional evento da região e local de encontro dos produtores e comunidades locais, que terão a oportunidade de fazer um tour pelos bastidores do evento para conhecer a montagem, estrutura e logística.

Bárbara Wandereley – Jornal Correio – Fotos: Geoparques

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